Arquivo de Tags: economia


Por Ricardo Mallet

O conceito de clima organizacional tem despertado um interesse crescente nos administradores brasileiros desde a década de 70. Não por acaso ou modismo, mas por puro pragmatismo. O que a prática tem demonstrado é que há uma relação direta entre o clima do ambiente de trabalho, a produtividade, a capacidade de inovação e, conseqüentemente, a lucratividade. Um estudo conduzido pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) validou este conhecimento essencialmente empírico ao demonstrar que entre 1997 e 2005 as Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil apresentaram retorno 170% acima do Índice Ibovespa e rentabilidade do patrimônio líquido de 17,8%, resultado superior à média das 500 Maiores Empresas do Brasil (11,3%).

O estudo revela que o mercado brasileiro está definitivamente deixando para trás a era em que os ativos tangíveis, como máquinas e estoques, eram os únicos que movimentavam a economia. Estamos entrando num território altamente complexo e subjetivo, onde as pessoas – suas crenças, valores, comportamentos e relacionamentos – passam a ser determinantes para o sucesso ou o fracasso do seu negócio.

O que é clima organizacional?

Clima organizacional é a qualidade do ambiente que é percebida ou experimentada pelos participantes da empresa e que influencia o seu comportamento. É aquela “atmosfera psicológica” que todos nós percebemos quando entramos num determinado ambiente e que nos faz sentir mais ou menos à vontade para ali permanecer, interagir e realizar. Ver artigo completo »

Por Alexandre Rocha

Nos últimos anos o Marketing tem sido consideravelmente mais percebido pelas pessoas em todo o mundo (seja da forma certa ou míope), e como num piscar de olhos todos buscam uma lacuna onde encaixar a “palavra mágica” para coroar discursos pomposos quando se trata de negócios (Foi definitivamente um Marketing muito eficaz! – ãh?!?!). Como se não bastasse utilizar a ciência como coringa para preencher lacunas no jogo das palavras, é também notória sua utilização em imensas lonas, front lights, outdoors e outras mídias em situações capazes de abalar perante o mercado e sociedade a credibilidade do profissional qualificado de fato.

No trajeto que percorro frequentemente até o centro da cidade me chamou atenção há alguns dias um front light de aproximadamente 50m² compondo a fachada do que é um misto de bureau e agência de publicidade onde havia como slogan “Marketing e soluções criativas”. Tal fato sem dúvidas aguça a curiosidade de qualquer estudioso do assunto e ainda realça a miopia que toma conta do mercado, talvez originada nas salas de aula de universidades ou conceitos infundados de meros curiosos.

Naquele momento não me vinha à mente outra coisa senão uma vontade imensa de entrar na empresa com um sorriso esperançoso pedindo uma pesquisa de mercado sobre o cenário atual no Estado acerca dos serviços de consultoria de Marketing para pequenas empresas, sem deixar de considerar é claro variáveis macroeconômicas, e incluir projeções sobre a possibilidade das fusões/aquisições gerarem “megaempresas blindadas” representarem barreiras de entrada para companhias nacionais de menor porte no mercado em um segmento específico (omitido no texto).

Ver artigo completo »

Por Marcos Facó*

A maioria dos profissionais de marketing acredita que alguns meses despendidos em alguma sala de MBA, aliados a uma boa dose de subjetividade, possam resolver todas as questões mercadológicas. Falta-lhes muito!

Estamos nos habituando com a mediocridade do subjetivo imperante nas reuniões de planejamento. Todos, sem exceção, têm opiniões formadas sobre tudo o que diz respeito a comunicação e marketing. Até profissionais de outras áreas se veem no direito de opinar, mesmo quando sua contribuição não é solicitada, as observações saltam da boca. É irresistível a sensação provocada pela brilhante opinião fornecida para o deleite de todos os envolvidos na reunião. Pode ser sobre qualquer faceta do marketing, desde a mídia, a estratégia, o investimento, até o prazer de criticar a peça, o famoso anúncio. Não há como se conter. Ele ou ela sabe que não entende nada de comunicação, mas é tudo tão subjetivo, tão fácil!

Todos que chegaram até aqui sabem do que estamos falando. Já viveram essa situação em algum momento de sua carreira, pelo menos em um lado do enredo. Ou por engolir as opiniões ou pela  satisfação de exalar uma aparente sabedoria mercadológica.

Ficamos divagando com a seguinte questão: por que essas opiniões não existem nas reuniões com a contabilidade? Ou nas reuniões em que se discute como o capital da empresa deve ser aplicado? Aqui, não se atrevem. O medo de exalar uma enormidade de bobagens é tão grande que fica mais confortável conter a vontade de se expressar. Ou você é um profissional da área de finanças, economia, contabilidade ou fica calado. Quando muito concorda.

Algum economista fica opinando sobre como o médico deve fazer a cirurgia? Quais instrumentos cirúrgicos ele deve utilizar? Mas, com toda a convicção permitida, o indivíduo terá opinião de sobra para dar a um diretor de agência de comunicação sobre o filme publicitário apresentado. Vai se sentir totalmente confortável até mesmo para dirigir o filme com assertividades impressionantes. Depois, com orgulho transbordando, comenta na mais alta leviandade como são fracos esses publicitários e, como ele, com o ego em explosão, consegue resolver a platitude reinante no mundo da propaganda.

Como um engenheiro pode se sentir confortável em emitir sabedoria onde nunca se aprofundou mais que alguns centímetros na piscina do marketing? Eles acreditam que a piscina é rasa. Tão simples e eficiente essa imagem. Ele, sem a menor cerimônia, estabelece a profundidade da nossa piscina. Mas a dele é muito profunda. Se você duvidar por um instante, as fórmulas matemáticas se lançam à sua frente.

Está aí a o Elo Perdido! É aí que devemos construir nossa piscina e determinar a sua profundidade. Mas os profissionais de marketing não estão preparados. Muitos não sabem sequer o que é uma mediana, o que dirá sobre a definição da variância. Sem estatística não existe marketing. Mas uma grande fatia desses profissionais não sabem o básico de matemática, tornando-se assim, também, opinadores contumazes, nadando de braçada numa fina lâmina d’água.

* Marcos Facó é Superintendente de Marketing da Fundação Getulio Vargas – FGV, Mestre em Administração pela FGV, MBA em Marketing pela PUC-RJ, Pós-graduação na Ecolé Polytecnique Fedéralè de Lausanne – Suíça, formado em arquitetura e engenharia civil pelo Mackenzie, e é co-autor do livro Marketing Educacional.

Powered by WordPress. Tema: Motion de 85ideas.