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Por Elias Guilherme Trevisol*

Há distinções entre Marketing e Propaganda ou como popularmente se conhece, são sinônimos? Tanto no meio social, quanto no meio acadêmico, essa dúvida persiste e permeia qualquer discussão sobre a popularização ou conhecimento de algum produto. O presente artigo possui a pretensão de elucidar as questões relativas a essa tão audaz e antiga dúvida: fazer Marketing é o mesmo que fazer Propaganda? Ver artigo completo »

Tudo é Marketing?

Por Admir Borges

O Brasil dos anos 60 viu surgir uma disciplina que transformaria o ambiente das relações de troca estabelecidas pelo mundo econômico: o Marketing, uma nova disciplina em sua forma embrionária. Ele foi ganhando seus primeiros simpatizantes num período em que a preocupação das empresas estava focada nos processos produtivos e na força de vendas.
Nos meios de comunicação, o rádio, estava em pleno vigor – era o centro das atenções – e a televisão, a novidade surpreendente do século XX, tinha o esboço de uma arrancada definitiva rumo à preferência do público, buscando seu espaço e garantindo destaque entre os meios de massa. Assim, rádio e tv se constituíram nos aliados de primeira hora do marketing, um casamento perfeito para se trabalhar as mensagens de maneira pertinente e multiplicadora, pela vantagem de atingir rapidamente grande parcela da população, ajudando a vender quantidades cada vez maiores de bens de consumo.

Tudo isso causou enorme impacto nos meios de produção, com a conseqüente ampliação geográfica da participação das marcas e o aparecimento de novos produtos que iriam competir com os já tradicionais e líderes de mercado. Também cresceu a malha rodoviária, o sistema de distribuição e logística, as formas de crediário ao consumidor, a adoção do planejamento estratégico pelas grandes empresas, a pesquisa e o teste de mercado.

Dessa forma, o marketing foi ganhando adeptos, estudiosos, pesquisadores e novos autores. Despertou o interesse de empresários de diversos segmentos, bem como dos publicitários, que passaram a propor para seus clientes cada vez mais anúncios, comercias e campanhas completas, traduzindo a evolução do próprio mercado, na busca de um modelo competitivo. As empresas adotaram o estabelecimento de verbas anuais para sua propaganda, que chegaram a representar até 100% do investimento em marketing. Nesse mesmo período a regulamentação do trabalho publicitário, através da Lei 4.680, e a determinação de percentuais de comissão foram importantes para o surgimento e fortalecimento das agências de propaganda, principalmente no eixo Rio – São Paulo. Isso fez com que a propaganda se transformasse no foco das atenções e na principal denominação da atividade mercadológica.

Com a alta visibilidade conquistada pelas agências, estabeleceu-se, no entanto, uma certa confusão semântica para o termo marketing, que ganhou uma série de interpretações e sinônimos, responsáveis pela distorção do seu verdadeiro sentido. Profissionais e leigos passaram a utilizar definições e conceitos de marketing e propaganda sem distinção, como se fossem uma coisa só, até colocando o primeiro como uma ferramenta do segundo e não o contrário, conforme defendem os especialistas e as maiores autoridades no assunto. Por sua vez, publicidade virou sinônimo de propaganda, quando na verdade são disciplinas complementares. Posteriormente, algumas formas de propaganda passaram a ser chamadas de merchandising , ou simplesmente merchan para os inculturados, com o absurdo aval de veículos de grande porte. Ou seja, estabeleceu-se uma verdadeira torre de babel no marketing.

Nessas quatro décadas não houve melhora nesse contexto, apesar do esforço feito através das pesquisas nas grandes universidades e das bibliografias que se multiplicaram. E, se antes a confusão derivava apenas da ignorância sobre o tema, hoje ela parte dos próprios autores e títulos de livros com tendência editorial oportunista. Tanto, que podemos encontrar nas bibliotecas e livrarias toda sorte de configurações, tais como: marketing tuttifruti, marketing de convergência, marketing viral, marketing sexual, marketing de permissão, marketing político, marketing médico, marketing editorial, marketing de imagem, marketing eleitoral, marketing de resultados, e a lista continua.

Infelizmente, como ocorre em outras atividades profissionais, nessa área encontramos pessoas que se autodenominam “experts”, quando na realidade não passam de espertalhões e aproveitadores de plantão. Muitos mandam imprimir em seus cartões de visita: gerente de marketing, supervisor de marketing, consultor de marketing, agente de marketing, assessor de marketing, sem nunca terem feito um curso sério, nem estudado com profundidade os consagrados autores. A preocupação aumenta de tamanho quando deparamos com formadores de opinião, principalmente na mídia, deturpando sobremaneira o conceito do que é marketing, desconsiderando tudo que já foi pesquisado e escrito com seriedade sobre o tema. O mau uso da terminologia, que gera interpretações errôneas, tem levado as pessoas a tratarem o marketing como se fosse qualquer tipo de ação promocional, e até pior, como algo que serve a uma venda forçada e enganosa, sem falar das maquiagens absurdas em produtos e serviços.

Para fermentar um pouco mais a questão cunhou-se nas duas últimas décadas, de maneira negligente, a palavra ” marqueteiro” : uma denominação adotada pelos estrategistas que trabalham para eleger políticos. O termo “marqueteiro” é pejorativo e indesejável para se atribuir a um profissional de marketing. Ele não passa de um profissional episódico, que constrói figuras volúveis como os políticos atuais. O verdadeiro mercadólogo não “faz” a imagem ninguém e desconfia da existência de um “marketing político”, pois utiliza seus conhecimentos teóricos e técnicos para posicionar produtos ou serviços corretos, criando alianças duradouras com os consumidores e usuários, garantindo a satisfação e a imagem positiva das marcas, no longo prazo. O legítimo mercadólogo repudia a invencionice e a alquimia dos “marqueteiros”.

“Tudo é marketing e marketing é tudo” para aqueles que acham que conhecem da matéria, mas que não passam de curiosos e empíricos. Esses, além de desconhecedores da teoria, costumam criar rótulos, frases de efeito, conceitos absurdos e outros termos inadequados. O marketing, segundo os grandes autores, é definido como um conjunto de técnicas que envolvem pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços, teste de mercado, avaliação de micro e macro ambiente, análise da concorrência, lançamento, política de preço, construção de valor, distribuição e logística, força de vendas, branding e composto de comunicação.

Com isso, podemos afirmar que o marketing se apresenta, neste início de século como a disciplina mais badalada e menos compreendida pelos leigos. Há o marketing traduzido pelos marqueteiros, mau visto pelos mercadólogos, e o marketing verdadeiro daqueles que estudam, pesquisam e fazem suas reflexões sobre fundamentos e tendências, livre das propostas especulativas dos espertalhões e aproveitadores. Fazer marketing é o oposto de enganar, maquiar, forçar, ou iludir. Torna-se, assim, indispensável para o profissional que atua nesta área um conhecimento aprofundado da sociologia, da economia, da antropologia, da psicologia e até mesmo da filosofia. O marketing não é disciplina para os vendedores que vendem lenço quando todos estão chorando, como sentenciava a antiga máxima das técnicas de vendas.

Admir Borges, consultor empresarial na área de atendimento ao cliente e Coordenador e Professor de Pós-graduação de Marketing e Comunicação da Uni-bh, Universidade Fumec. e IEC-PUC.

Por Marcos Facó*

A maioria dos profissionais de marketing acredita que alguns meses despendidos em alguma sala de MBA, aliados a uma boa dose de subjetividade, possam resolver todas as questões mercadológicas. Falta-lhes muito!

Estamos nos habituando com a mediocridade do subjetivo imperante nas reuniões de planejamento. Todos, sem exceção, têm opiniões formadas sobre tudo o que diz respeito a comunicação e marketing. Até profissionais de outras áreas se veem no direito de opinar, mesmo quando sua contribuição não é solicitada, as observações saltam da boca. É irresistível a sensação provocada pela brilhante opinião fornecida para o deleite de todos os envolvidos na reunião. Pode ser sobre qualquer faceta do marketing, desde a mídia, a estratégia, o investimento, até o prazer de criticar a peça, o famoso anúncio. Não há como se conter. Ele ou ela sabe que não entende nada de comunicação, mas é tudo tão subjetivo, tão fácil!

Todos que chegaram até aqui sabem do que estamos falando. Já viveram essa situação em algum momento de sua carreira, pelo menos em um lado do enredo. Ou por engolir as opiniões ou pela  satisfação de exalar uma aparente sabedoria mercadológica.

Ficamos divagando com a seguinte questão: por que essas opiniões não existem nas reuniões com a contabilidade? Ou nas reuniões em que se discute como o capital da empresa deve ser aplicado? Aqui, não se atrevem. O medo de exalar uma enormidade de bobagens é tão grande que fica mais confortável conter a vontade de se expressar. Ou você é um profissional da área de finanças, economia, contabilidade ou fica calado. Quando muito concorda.

Algum economista fica opinando sobre como o médico deve fazer a cirurgia? Quais instrumentos cirúrgicos ele deve utilizar? Mas, com toda a convicção permitida, o indivíduo terá opinião de sobra para dar a um diretor de agência de comunicação sobre o filme publicitário apresentado. Vai se sentir totalmente confortável até mesmo para dirigir o filme com assertividades impressionantes. Depois, com orgulho transbordando, comenta na mais alta leviandade como são fracos esses publicitários e, como ele, com o ego em explosão, consegue resolver a platitude reinante no mundo da propaganda.

Como um engenheiro pode se sentir confortável em emitir sabedoria onde nunca se aprofundou mais que alguns centímetros na piscina do marketing? Eles acreditam que a piscina é rasa. Tão simples e eficiente essa imagem. Ele, sem a menor cerimônia, estabelece a profundidade da nossa piscina. Mas a dele é muito profunda. Se você duvidar por um instante, as fórmulas matemáticas se lançam à sua frente.

Está aí a o Elo Perdido! É aí que devemos construir nossa piscina e determinar a sua profundidade. Mas os profissionais de marketing não estão preparados. Muitos não sabem sequer o que é uma mediana, o que dirá sobre a definição da variância. Sem estatística não existe marketing. Mas uma grande fatia desses profissionais não sabem o básico de matemática, tornando-se assim, também, opinadores contumazes, nadando de braçada numa fina lâmina d’água.

* Marcos Facó é Superintendente de Marketing da Fundação Getulio Vargas – FGV, Mestre em Administração pela FGV, MBA em Marketing pela PUC-RJ, Pós-graduação na Ecolé Polytecnique Fedéralè de Lausanne – Suíça, formado em arquitetura e engenharia civil pelo Mackenzie, e é co-autor do livro Marketing Educacional.

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