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Tudo é Marketing?

Por Admir Borges

O Brasil dos anos 60 viu surgir uma disciplina que transformaria o ambiente das relações de troca estabelecidas pelo mundo econômico: o Marketing, uma nova disciplina em sua forma embrionária. Ele foi ganhando seus primeiros simpatizantes num período em que a preocupação das empresas estava focada nos processos produtivos e na força de vendas.
Nos meios de comunicação, o rádio, estava em pleno vigor – era o centro das atenções – e a televisão, a novidade surpreendente do século XX, tinha o esboço de uma arrancada definitiva rumo à preferência do público, buscando seu espaço e garantindo destaque entre os meios de massa. Assim, rádio e tv se constituíram nos aliados de primeira hora do marketing, um casamento perfeito para se trabalhar as mensagens de maneira pertinente e multiplicadora, pela vantagem de atingir rapidamente grande parcela da população, ajudando a vender quantidades cada vez maiores de bens de consumo.

Tudo isso causou enorme impacto nos meios de produção, com a conseqüente ampliação geográfica da participação das marcas e o aparecimento de novos produtos que iriam competir com os já tradicionais e líderes de mercado. Também cresceu a malha rodoviária, o sistema de distribuição e logística, as formas de crediário ao consumidor, a adoção do planejamento estratégico pelas grandes empresas, a pesquisa e o teste de mercado.

Dessa forma, o marketing foi ganhando adeptos, estudiosos, pesquisadores e novos autores. Despertou o interesse de empresários de diversos segmentos, bem como dos publicitários, que passaram a propor para seus clientes cada vez mais anúncios, comercias e campanhas completas, traduzindo a evolução do próprio mercado, na busca de um modelo competitivo. As empresas adotaram o estabelecimento de verbas anuais para sua propaganda, que chegaram a representar até 100% do investimento em marketing. Nesse mesmo período a regulamentação do trabalho publicitário, através da Lei 4.680, e a determinação de percentuais de comissão foram importantes para o surgimento e fortalecimento das agências de propaganda, principalmente no eixo Rio – São Paulo. Isso fez com que a propaganda se transformasse no foco das atenções e na principal denominação da atividade mercadológica.

Com a alta visibilidade conquistada pelas agências, estabeleceu-se, no entanto, uma certa confusão semântica para o termo marketing, que ganhou uma série de interpretações e sinônimos, responsáveis pela distorção do seu verdadeiro sentido. Profissionais e leigos passaram a utilizar definições e conceitos de marketing e propaganda sem distinção, como se fossem uma coisa só, até colocando o primeiro como uma ferramenta do segundo e não o contrário, conforme defendem os especialistas e as maiores autoridades no assunto. Por sua vez, publicidade virou sinônimo de propaganda, quando na verdade são disciplinas complementares. Posteriormente, algumas formas de propaganda passaram a ser chamadas de merchandising , ou simplesmente merchan para os inculturados, com o absurdo aval de veículos de grande porte. Ou seja, estabeleceu-se uma verdadeira torre de babel no marketing.

Nessas quatro décadas não houve melhora nesse contexto, apesar do esforço feito através das pesquisas nas grandes universidades e das bibliografias que se multiplicaram. E, se antes a confusão derivava apenas da ignorância sobre o tema, hoje ela parte dos próprios autores e títulos de livros com tendência editorial oportunista. Tanto, que podemos encontrar nas bibliotecas e livrarias toda sorte de configurações, tais como: marketing tuttifruti, marketing de convergência, marketing viral, marketing sexual, marketing de permissão, marketing político, marketing médico, marketing editorial, marketing de imagem, marketing eleitoral, marketing de resultados, e a lista continua.

Infelizmente, como ocorre em outras atividades profissionais, nessa área encontramos pessoas que se autodenominam “experts”, quando na realidade não passam de espertalhões e aproveitadores de plantão. Muitos mandam imprimir em seus cartões de visita: gerente de marketing, supervisor de marketing, consultor de marketing, agente de marketing, assessor de marketing, sem nunca terem feito um curso sério, nem estudado com profundidade os consagrados autores. A preocupação aumenta de tamanho quando deparamos com formadores de opinião, principalmente na mídia, deturpando sobremaneira o conceito do que é marketing, desconsiderando tudo que já foi pesquisado e escrito com seriedade sobre o tema. O mau uso da terminologia, que gera interpretações errôneas, tem levado as pessoas a tratarem o marketing como se fosse qualquer tipo de ação promocional, e até pior, como algo que serve a uma venda forçada e enganosa, sem falar das maquiagens absurdas em produtos e serviços.

Para fermentar um pouco mais a questão cunhou-se nas duas últimas décadas, de maneira negligente, a palavra ” marqueteiro” : uma denominação adotada pelos estrategistas que trabalham para eleger políticos. O termo “marqueteiro” é pejorativo e indesejável para se atribuir a um profissional de marketing. Ele não passa de um profissional episódico, que constrói figuras volúveis como os políticos atuais. O verdadeiro mercadólogo não “faz” a imagem ninguém e desconfia da existência de um “marketing político”, pois utiliza seus conhecimentos teóricos e técnicos para posicionar produtos ou serviços corretos, criando alianças duradouras com os consumidores e usuários, garantindo a satisfação e a imagem positiva das marcas, no longo prazo. O legítimo mercadólogo repudia a invencionice e a alquimia dos “marqueteiros”.

“Tudo é marketing e marketing é tudo” para aqueles que acham que conhecem da matéria, mas que não passam de curiosos e empíricos. Esses, além de desconhecedores da teoria, costumam criar rótulos, frases de efeito, conceitos absurdos e outros termos inadequados. O marketing, segundo os grandes autores, é definido como um conjunto de técnicas que envolvem pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços, teste de mercado, avaliação de micro e macro ambiente, análise da concorrência, lançamento, política de preço, construção de valor, distribuição e logística, força de vendas, branding e composto de comunicação.

Com isso, podemos afirmar que o marketing se apresenta, neste início de século como a disciplina mais badalada e menos compreendida pelos leigos. Há o marketing traduzido pelos marqueteiros, mau visto pelos mercadólogos, e o marketing verdadeiro daqueles que estudam, pesquisam e fazem suas reflexões sobre fundamentos e tendências, livre das propostas especulativas dos espertalhões e aproveitadores. Fazer marketing é o oposto de enganar, maquiar, forçar, ou iludir. Torna-se, assim, indispensável para o profissional que atua nesta área um conhecimento aprofundado da sociologia, da economia, da antropologia, da psicologia e até mesmo da filosofia. O marketing não é disciplina para os vendedores que vendem lenço quando todos estão chorando, como sentenciava a antiga máxima das técnicas de vendas.

Admir Borges, consultor empresarial na área de atendimento ao cliente e Coordenador e Professor de Pós-graduação de Marketing e Comunicação da Uni-bh, Universidade Fumec. e IEC-PUC.

Insulto ao Futuro

Por Gilclér Regina

De uma forma geral, ninguém fica rico trabalhando como empregado, mas ninguém irá tornar-se milionário sozinho. Parece-me que o sucesso está no equilíbrio e na força do conjunto.

Este conceito faz parte do maravilhoso mundo de vendas e universo das empresas.

Creio que não teremos mais desempregados até porque não teremos mais emprego mesmo.
Com a mudança dos tempos, uma pessoa que sair 30 dias de férias ou de licença em sua atividade, retornará quase um século atrasada.

É por estas e por outras que as empresas buscam conhecimento + comprometimento.
O conhecimento reduz as incertezas e o comprometimento te leva ao alvo, te faz correr na frente, na certeza da união entre o saber e o fazer, isto é, a grande diferença que constrói o sucesso, o futuro.
Existem dois tipos de pessoas que qualquer empresa evita ter em seus quadros:

1. Os que não fazem o que ela manda e
2. Os que só fazem o que ela manda.
Neste momento de pós crise, tem que ficar o aprendizado. É preciso olhar-se no espelho, não mentir e perguntar-se: “O que aprendi com isto?”.

O êxito acontece para as pessoas que dão mais do que recebem, para as pessoas que fazem mais do que as cláusulas do contrato.

A indecisão, a amargura, o descomprometimento, o titubeio e a desmotivação são insultos ao progresso.

O ideal não é ser estrela… É ser produtor de estrelas. Henry Ford por exemplo, contratava pessoas mais espertas e de maior conhecimento que ele.

Quem será que ganha mais? O jogador de futebol que é até famoso ou o empresário que administra sua carreira e de uma centena de outros recebendo participação em salários, direitos de imagem, publicidade e transações?

E olha que ele não precisa colocar suas “canelas” à mostra!

O sonho da prosperidade, ao longo do tempo, tem o seu início nos impulsos dos pensamentos e estes, transformados em coisas práticas como arranha-céus, cidades, fábricas, aviões, automóveis e toda forma de conforto, aparelhos ou instalações que tornam a vida do ser humano mais fácil.

Não importa quantos passos você der para trás… Importam quantos passos você dará para frente. Bem-vindo ao futuro!

Pense nisso, um forte abraço e esteja com Deus!

Gilclér Regina é Consultor, Escritor e Palestrante no Brasil e exterior. autor de livros e CD’s que já atingiram a marca de 4 milhões de unidades comercializadas. Realiza mais de 100 palestras por ano em Convenções de Empresas. Tem formação em Dinâmica Humana pelo The National Value Center- Texas-EUA, em TQM pelo ASQC American Society for Quality Control-Winsconsin-EUA curso de Desenvolvimento e Gestão Humana pelo The Graves Technology. É presidente da empresa CEAG Desenvolvimento de Talentos e Editora Ltda. É também articulista de aproximadamente 300 revistas, jornais e sites. Uma pessoa de origem humilde que tornou-se um dos Conferencistas mais procurados para os eventos e convenções no Brasil. Site: www.ceag.com.br

Por Paulo Vieira de Castro

No que diz respeita à orientação de marketing, as empresas poderão estar guiadas para o produto/ serviço, para as vendas, para o mercado, para o cliente. Recentemente ficamos, ainda, sabendo que a empresa poderá estar vocacionada para a dimensão holística, para um complexo integral de relações. A rigor, quem determina o rumo de marketing de uma empresa é o Plano Estratégico de Marketing, refletindo-se esta vontade diretamente nas ações que lhe dão forma prática através do determinado pelo Plano Anual de Marketing. Como poderia ser diferente quando nos reportamos à orientação de marketing?

Você sabe qual é a orientação de marketing da empresa onde trabalha? Para poder responder a esta questão deverá refletir sobre 3 aspectos centrais. O que diz o planeado e orçamentado a este respeito? O que é mais importante para a sua empresa, ter clientes ou produtos? Como é medida a atividade de marketing da sua organização?

Esta última questão será a propósito dos tipos de controlo que a sua empresa realiza na área do marketing. Este será quanto a nós o indicador mais certo da orientação de marketing de empresa onde trabalha. Se, por exemplo, os controllers da sua empresa analisarem exclusivamente as vendas, então a resposta à questão será que a sua empresa está orientada para as vendas.

A orientação de marketing deverá ser percebida do ponto de vista integral, medindo o seu valor através da estrutura formal interna e externa, mas igualmente pela análise informal e interdepartamental, dependendo a sua competência da riqueza dos sistemas de informação de marketing, do rigor do planejamento e do controlo de marketing existentes.

Assim, chamamos a atenção para a utilidade do entendimento relativamente ao particular da discussão que aqui nos trás dever ser de largo espectro, destacando a importância não só dos clientes, mas igualmente dos fornecedores, dos concorrentes, dos influenciadores, dos acionistas, dos parceiros de referências, dos públicos internos, etc., havendo que conhecer as rotinas, os recursos e o clima da organização, no que diz respeito à orientação para todos os públicos relacionais.

Refletir sobre os processos estruturais das atividades de marketing deverá ser considerado vital para qualquer análise nesta área, devendo os mesmos ser revistos sistemática e periodicamente, havendo, sempre que necessário, mudanças efetivas na orientação de marketing.

Na tentativa de compreensão das circunstâncias e das razões que levaram a empresa em análise a tal patamar de orientação de marketing estaremos dependentes, numa primeira linha da análise, da consistência dos sistemas de informação de marketing, dos sistemas de planejamento de marketing, dos sistemas de controlo de marketing e dos sistemas de investigação e desenvolvimento de marketing.

Apesar de partirmos invariavelmente do princípio de que todo o marketing deverá ser integrado, evitando a idéia de que se trata de uma ferramenta que se concentra exclusivamente na responsabilidade de um único departamento, iremos, por razões que se prendem com a exigüidade do tempo dos nossos leitores, incidir nas questões relacionadas com a orientação de marketing interno, limitando-nos a dar alguns exemplos de pontos de medida a este nível, pelo que incidiremos exclusivamente ao nível do departamento de marketing.

Departamento de Marketing
A capacidade para interagir com os outros departamentos evidencia a forma como os decisores de marketing encaram esta filosofia de gestão na sua perspectiva integral. Uma parte importante da confiança transmitida aos diversos públicos relacionais é um reflexo desta atitude. A responsabilidade de criar redes de relacionamentos e de proximidade é deste departamento, muito embora os resultados destas políticas sejam, na prática, uma competência de todos. Se tomarmos como exemplo o caso português, será junto deste departamento que iremos encontrar maior massa crítica no respeitante à orientação para a satisfação dos mercados. Assim, deveremos em primeiro lugar refletir sobre o lugar do marketing na organização, isto nas mais diversas perspectivas. Seguidamente apresentamos algumas questões relacionadas com as áreas funcionais arroladas para o staff de marketing.

:: Como é que o departamento de marketing está organizado? Esta estrutura está de acordo com as necessidades da produção, das vendas ou dos mercados?
:: A gestão de marketing reporta-se diretamente à gestão de topo?
:: A organização de marketing tem poder suficiente para influenciar a gestão de topo?
:: A gestão de marketing está representada nas comissões executivas de topo?
:: O responsável pelo marketing tem acesso a um grupo cross-functional composto por altos representantes da engenharia, produção, controlo financeiro, distribuição e outras funções centrais do negócio? Este grupo segue uma agenda ou atua simplesmente em situações de crise?
:: O responsável pelo marketing tem o comprometimento adequado com todas as atividades da empresa que afetam diretamente o grau de satisfação dos públicos internos?
:: A estrutura funcional do marketing é clara em termos de produtos, segmentos, utilizadores e territórios? O staff é responsabilizado por tarefas, dossiê, segmentos,..?
:: O budget para o marketing tem sido adequado às necessidades de desenvolvimento propostos no PEM e PAM nos últimos 3 anos?
:: O marketing contribui para a estruturação dos planos de formação, de motivação, de supervisão e para a avaliação dos públicos internos?
:: O marketing serve para influenciar o comportamento de todos os funcionários?
:: Os profissionais de marketing estão bem informados a propósito dos benefícios oferecidos pela empresa, mercados e concorrentes?
:: Existem relatórios detalhados a propósito de todas as funções de marketing?

Nos nossos dias estima-se que exista uma especial atenção nas necessidades dos clientes e consumidores, nos seus desejos e atitudes perante o fenômeno do consumo, pois só assim será possível anteciparmos as necessidades de desenvolvimento e inovação. Interessa-nos, igualmente, saber como é que todos os que estão envolvidos com um negócio lidam com a idéia de mudança constante.

Estes são apenas alguns pontos de medida a propósito do lugar do marketing numa organização, havendo necessariamente muitos outros. Não gostaria de terminar sem alertar para um aspecto central em qualquer reflexão deste tipo. É que esta deverá servir à gestão de topo para aferir da adequação da cultura da organização em análise às expectativas atuais e futuras de todos os públicos relacionais.

Paulo Vieira de Castro é mentor do modelo “Marketing de Proximidade Real”, consultor de empresas, Diretor do Centro de Estudos Aplicados em Marketing do Instituto Superior de Administração e Gestão do  Porto – Portugal. E-mail geral@paulovieiradecastro.com

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